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Jovem morto no incêndio da Boate Kiss envia carta psicografada emocionante

O incêndio na Boate Kiss entrou para a história como um dos maiores acidentes envolvendo incêndio do país.

Tudo aconteceu em 27 de janeiro de 2013, quando 242 pessoas morreram e 680 ficaram feridas no incêndio.

Assim como a carta psicografada das vítimas do Edifício Joelma, foi revelada uma carta psicografada de uma das vítimas da Boate Kiss.

Carta psicografada da vítima da Boate Kiss

“Mãe querida, em primeiro lugar, peço-te, que te acalmes, acalmes estes pensamentos, acredites nestas linhas. Sou eu o André, o teu André.

Não penses que sofri ou estou sofrendo, e muito menos descansando eternamente.

Mãe, ainda não sei como cheguei por estas paragens, mas me lembro da fumaça, da correria, do cheiro de queimado, foi daí que tropecei e cai esborachado aqui… Embora ainda sujo, os olhos ardendo, percebi os meus amigos ali juntos e todos eles bem assustados como eu, mas que de alguma forma, estávamos inteiros. Precisando de cuidados médicos, mas vivos. Daí começaram a nos explicar cuidadosamente o ocorrido, enquanto éramos tratados.

Estavam comigo e ainda estão, o Pardal, A Neca, o Silvio, o Pedro, a Carol, Suzie, Roger, Pablito e outros que não consigo dizer os nomes. Por enquanto estamos bem ajeitados e nos adaptando a esta nova condição de meio mortos , hahahaha…

A vida continua rotineira e tranquila dentro das possibilidades, todos os dias, vamos ás alas hospitalares e damos boas vindas aos demais vitimados naquele incidente horrivel. Passou para nós, ficou para trás, apenas nos lembramos, nada mais.

Qualquer dia destes, aceitarei a oferta de ir novamente a uma festa. Soube que são muito animadas por aqui, mas ainda é cedo para encarar…

Por aqui, é tudo bem parecido com a vida de antes, estou louco para voltar aos estudos, mas ainda não tenho acesso às matérias, e ainda não sei no que trabalharei, mas já soube que serei remunerado. Corre solto que aqui também podemos paquerar! Há tanta coisa boa a me esperar, que mal me seguro para começar logo, mas vejo que terei que
ir na massa! Pegar solto.

Suas orações, mãe chegam direto no meu coração Sinto saudades, também, sabias?

Sinto falta de todos, até do cheiro do capim molhado, mas não há como voltar, então o melhor é se apresentar a esta nova vida, e ir em frente.

E estas benditas lágrimas nas tuas faces, que enxugo neste momento com sonoros beijos e um sorriso maroto.

Mande abraços de saudades aos meus amigos e amigas. Diga a eles, coragem. A vida não morre! Nem por fogo ou água. A vida é viva. Quem me conhece, sabe que não sou de dobrar diante de nada, e esta tal morte, também não me dobrou.

Continuo o mesmo guru. Amo todos, e quando me for permitido, de novo aqui estarei neste noticiário diferente, mas muito legal. Beijo família!”

Essas teriam sido as palavras de André, uma das vítimas da Boate Kiss.

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