Com muitos mortos e sem vagas nos cemitérios, Itália abriga corpos em igreja

A Itália é um dos países que mais sofrem com a pandemia do novo coronavírus Covid-19.

Com mais de 2,5 mil mortes confirmadas no país e mais de 25 mil infectados, a Itália enfrenta sua maior crise humanitária da história.

Em Bergamo, no Norte do país, região mais afetada, o prefeito Giorgio Gori precisou alocar cadáveres dentro de uma igreja após o cemitério ser fechado.

“Tivemos que fechar o cemitério da cidade para proteger as pessoas mais velhas que estavam indo visitar seus entes queridos que morreram nas últimas semanas. Por outro lado, precisamos abrir o necrotério e a igreja do cemitério para abrigar a grande quantidade de cadáveres que se acumulou”, disse Gori à BBC.

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O número de mortos na região não para de crescer e o prefeito precisou pedir ajuda a outras províncias.

“Precisamos, inclusive, pedir ajuda a outras cidades para que nos deixassem usar seus fornos crematórios, porque os nossos não são mais suficientes. A primeira cidade foi Civitavecchia (próxima a Roma, a cerca de 600 km de Bergamo), e ontem o prefeito de Modena (na Emilia Romana, outra das regiões mais afetadas pela epidemia) me ligou para dizer que poderiam cremar 25 cadáveres. Em breve enviarei um conjunto de cartas para informar a prefeitos de outras cidades que estamos passando esse triste fardo para eles”, lamentou.

Em meio ao caos, diversas pessoas estão se unindo para ajudar o próximo.

“Centenas de voluntários se colocaram à disposição para levar alimentos, remédios e assistência, especialmente aos idosos que vivem sozinhos. Infelizmente, máscaras de proteção estão em falta. Estamos procurando por toda parte, pedindo que qualquer um envie o que puder, na Itália ou em outros países, pois esses voluntários não podem trabalhar sem proteção. A outra iniciativa é a dos trabalhadores de nossas bibliotecas comunitárias, que leem contos pelo Facebook para as crianças que estão em casa e não podem ir às escolas. Eles até inventaram um novo conto”, disse.