Foro de São Paulo – O que é a organização comunista criada por Lula e Fidel Castro

Um dos assuntos mais comentados nessas eleições é o Foro de São Paulo, mas você sabe o que é e o que planeja essa organização? Para tirar suas dúvidas, nós preparamos essa matéria especial sobre esse tema.

O Foro de São Paulo, ou FSP, é uma entidade formada com a intenção de ajudar os partidos de esquerda a ganharem mais poder e representatividade na América Latina e no Caribe. Atualmente, cerca de 105 partidos políticos de 25 países e movimentos de esquerda compõem o FSP.

Foi criado pelo Partido dos Trabalhadores (PT), com a primeira conferência em julho de 1990. O local escolhido para o encontro foi o antigo hotel Danúbio, em São Paulo. A ideia surgiu em uma conversa entre o então primeiro-secretário do Partido Comunista de Cuba, Fidel Castro Ruiz, e o líder do Partido dos Trabalhadores, Luiz Inácio Lula da Silva. O livro “Foro de São Paulo: Construindo a integração latino-americana e caribenha”, do historiador e ex-secretário executivo do FST, Valter Pomar, afirma que Lula estava em visita à Cuba quando surgiu a ideia da criação do Foro de São Paulo.

Intitulado “Encontro de Partidos e Organizações de Esquerda da América Latina e do Caribe”, a primeira reunião tratou de ‘assuntos chaves’ para a esquerda, como o combate ao imperialismo e ao neoliberalismo que crescia na América Latina durante a Guerra Fria e após a queda do Muro de Berlim, em 1989.

A formalização do nome ‘Foro de São Paulo’ aconteceu no segundo encontro do grupo, em 1991, na Cidade do México. Desde então, foram realizados 24 encontros em diversos países com a ideia de uma ‘América Latina livre, justa e soberana’, conforme está nos registros de julho de 1990.

Os objetivos do Foro de São Paulo estão gravados na declaração da primeira assembleia do grupo:

“Manifestamos, portanto, nossa vontade comum de renovar o pensamento de esquerda e o socialismo, de reafirmar o seu caráter emancipador, corrigir concepções errôneas, superar toda expressão de burocratismo e toda ausência de uma verdadeira democracia social e de massas(…).

Rejeitamos toda pretensão de aproveitar a crise da Europa Oriental para encorajar a restauração capitalista, anular suas conquistas e direitos sociais ou alentar ilusões nas inexistentes bondades do liberalismo e do capitalismo (…)

Nós, organizações políticas reunidas em São Paulo, encontramos um grande alento – para reafirmar nossas concepções e objetivos socialistas, anti-imperialistas e populares – no surgimento e desenvolvimento de vastas forças sociais, democráticas e populares no Continente que se opõem aos mandados do imperialismo e do capitalismo neoliberal, e à sua sequela de sofrimento, miséria, atraso e opressão antidemocrática. Essa realidade confirma a esquerda e o socialismo como alternativas necessárias e emergentes.”

A senadora e atual presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e a ex-presidente do Brasil, Dilma Rousseff, estiveram na edição do FSP que aconteceu em julho de 2018, em Havana, Cuba. Na ocasião, a prisão de Lula, o impeachment de Dilma e o crescimento da direita na América Latina foram os principais assuntos debatidos.

““Em tudo o que fizemos até agora, que foi muito, o Foro e os partidos do Foro tiveram um grande papel que poderá ser ainda mais importante se soubermos manter nossa principal característica: a unidade na diversidade”, disse Lula em sua participação na reunião de 2012. 

No Brasil, as Fundações João Mangabeira, Maurício Grabois e Perseu Abromo apoiam o Foro de São Paulo. Assim como os partidos PDT, PC do B, PCB, Partido Pátria Livre, PPS, PSB e PT.

Fora do país, os líderes Pepe Mujica (Uruguai), Cristina Kirchner (Argentina), Evo Morales (Bolívia), Michelle Bachelet (Chile), Vicente Fox (México), Ollanta Humala (Peru) e Rafael Correa (Equador) estão entre os políticos que participam ou já participaram do FSP.

As informações são do jornal Gazeta do Povo, com alterações e destaques feitos pela equipe do Agora no Mundo.

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